Instituto Pensar - Wassef, Zanin e outros advogados são alvos da Operação Lava Jato

Wassef, Zanin e outros advogados são alvos da Operação Lava Jato

por: Nathalia Bignon 


Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio ? (Foto: Divulgação)

Os advogados Frederick Wassef, (ex-advogado da família Bolsonaro), Ana Tereza Basílio (Wilson Witzel) e Cristiano Zanin e Roberto Teixeira (Lula) foram alvos de uma nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta quarta-feira (9). Bolsonaro, Lula e Witzel não são investigados nesta operação.

A Operação E$quema S investiga desvios de pelo menos R$ 150 milhões do Sistema S do Rio de Janeiro ? formado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e da Federação do Comércio (Fecomércio). A operação é baseada em uma delação premiada de Orlando Diniz, ex-presidente da seção fluminense do Sistema S. A denúncia envolve escritórios de advocacia no Rio, Brasília e em São Paulo.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), alguns dos pagamentos foram "sob contratos de prestação de serviços advocatícios ideologicamente falsos?, sem contratação formal e sem critérios técnicos, como concorrência ou licitação.

O juiz federal Marcelo Bretas expediu 50 mandados de buscas e apreensões e aceitou a denúncia do MPF, tornando rés 26 pessoas ? a maioria, advogados. Não há mandados de prisão.

De acordo com o MPF, um dos escritórios alvo de buscas ? o Eluf e Santos ? foi contratado no esquema para repassar vantagens indevidas a Wassef. O ex-advogado do clã Bolsonaro não foi denunciado. O MPF não explicou o motivo.

A força-tarefa aponta que o Sistema S desembolsou R$ 355 milhões com advocacia entre 2012 e 2018, dos quais "ao menos R$ 151 milhões foram desviados?, com o objetivo de montar uma blindagem que mantivesse o empresário Orlando Diniz no comando da instituição. Além dos valores desviados, há suspeita de malversação (apropriação indébita) de mais R$ 200 milhões.

O esquema aponta diretamente Diniz, Marcelo Almeida, Roberto Teixeira, Cristiano Zanin, Fernando Hargreaves, Vladimir Spíndola, Ana Tereza Basílio, José Roberto Sampaio, Eduardo Martins, Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo. Os 11 foram denunciados por organização criminosa.

Mandados em dois estados e no DF

Equipes da força-tarefa cumpriam os mandados no Rio, em São Paulo e no Distrito Federal. Por volta das 6h, os policiais chegaram em um endereço na Rua Urbano Santos, na Urca, e na Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon, ambos na Zona Sul da cidade.

Pouco depois, os policiais estiveram em um endereço na Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, no condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca. Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio.

Investigação por suspeita de corrupção

Orlando Diniz, ex-presidente da seção fluminense do Sistema S, já havia sido preso em 2018, em um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. No mesmo ano, porém, o ex-executivo foi solto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-empresário foi detido por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e integrar organização criminosa.

Um dos crimes investigados na época era a contratação de "funcionários fantasmas? pelo Sesc e pelo Senac (ligados à Fecomércio). Por exemplo, uma chef de cozinha para o Palácio Guanabara e uma governanta do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Elas recebiam salários pelas entidades.

Diniz ficou quatro meses preso. Em junho, o ministro do STF Gilmar Mendes concedeu habeas corpus ao ex-empresário.

O que dizem os principais os advogados

Em nota, o advogado Cristiano Zanin chamou a operação de "atentado à advocacia e retaliação?.

"A iniciativa do Sr. Marcelo Bretas de autorizar a invasão da minha casa e do meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho como advogado, que há tempos vem expondo as fissuras no Sistema de Justiça e do Estado Democrático de Direito?, afirma o advogado.

Segundo Zanin, todos os serviços prestados pelo seu escritório à Fecomércio-RJ entre 2011 e 2019 estão "devidamente documentados em sistema auditável e envolveram 77 profissionais e consumiram 12.474 horas de trabalho. Cerca de 1.400 petições estão arquivadas em nosso sistema.?

"Além disso, em 2018, a pedido da Fecomércio-RJ, entregamos cópia de todo o material produzido pelo nosso escritório na defesa da entidade, comprovando a efetiva realização dos serviços que foram contratados. Os pagamentos, ademais, foram processados internamente pela Fecomércio-RJ por meio de seus órgãos de administração e fiscalização e foram todos aprovados em Assembleias da entidade ? com o voto dos associados?, continua a nota.

Em nota, a defesa do ex-governador Sérgio Cabral disse que ele é "colaborador da justiça com acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Sobre esses fatos já prestou esclarecimentos à Polícia Federal e entregou provas de corroboração?.

Frederick Wassef e o escritório do qual Ana Tereza Basílio é sócia ainda não se manifestaram.

Com informações do G1 e O Globo



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